Para agência da ONU, envelhecimento saudável depende de políticas públicas
06 de Março de 2020
Em reunião técnica realizada nesta quarta-feira (4) entre deputados da
Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa com representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), foram definidas algumas prioridades para que a próxima década promova uma velhice saudável para a população do continente: ajustes nos sistemas de saúde e de seguridade social, reorganização do sistema de cuidados e o combate à discriminação por idade, o chamado “ageísmo”.
Para o chefe da Unidade de Curso de Vida Saudável da OPAS, o geriatra Enrique García, a boa notícia é que “vencemos a morte”, aumentando a expectativa de vida. A má notícia é que esse prolongamento chega, muitas vezes, com doenças e dependência.
Já a representante da OPAS no Brasil, Socorro Gross, afirmou que a dinâmica de envelhecimento no país só é comparável à da China. Por isso, as políticas públicas devem reforçar o atendimento específico e contínuo aos idosos e o país deve aumentar os recursos para a saúde.
“O cuidado dessas pessoas é um cuidado que tem que ser o que nós chamamos cuidados que são prolongados. Algumas pessoas têm doenças crônicas, outras pessoas envelhecem sem doenças, mas sempre vão precisar de cuidados mais prolongados”, observou.
Fundada em 1902, a OPAS é a organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo. Ela atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas.
Políticas públicas
A deputada Leandre (PV-PR), que organizou a reunião, comemorou o interesse da Organização Pan-Americana de Saúde nas ações do Poder Executivo e do Legislativo brasileiros para avançar nas políticas públicas para idosos.
“Se a gente não tiver uma política hoje que priorize o cuidado daquelas pessoas que precisam, mas também que possa fazer uma política transversal, olhando para o envelhecimento como um processo que acontece desde o nascimento da pessoa e vai perpassando por todo o ciclo da vida, que é o que garantir que as pessoas possam envelhecer com qualidade de vida e com suas capacidades funcionais em alta, com mais autonomia, com mais independência, não adianta a gente ter mais anos de vida e as pessoas serem altamente dependentes”, observou o deputado.
A parlamentar acrescentou que a conscientização da população mais jovem sobre a importância dos cuidados com a velhice é a melhor maneira de fazer com que o tema entre na agenda política do país.
Estratégia municipal
Representantes do governo também foram convidados para relatar como andam as políticas públicas para os mais velhos com a mudança do perfil demográfico.
A secretária Nacional de Promoção do Desenvolvimento Humano, Ely Harasawa, falou da Estratégia Brasileira Amigo da Pessoa Idosa, que estimula as cidades a implantarem ações em áreas como direitos humanos, saúde, mobilidade e acessibilidade. O programa já tem 943 municípios engajados e a secretaria, subordinada ao Ministério da Cidadania, orienta os gestores públicos.
“Nós oferecemos informações técnicas, apoio, capacitação para que eles possam ir avançando, seja no diagnóstico, que é a primeira etapa, depois o plano de ação e depois a execução das ações”, disse.
Parlamentares e representante da OPAS foram recebidos pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. No encontro, a agência das Nações Unidas colocou como prioridade a instituição de políticas de cuidados, por todos os países da região.